Mais segurança para nós

No dia a dia, pessoas com deficiência e idosos correm sério risco de atropelamento nas grandes metrópoles do país, pela excessiva rapidez com que os semáforos abrem, permitindo a passagem dos motoristas, que se recusam a respeitar as faixas de pedestre.

Em Curitiba, está sendo testado um sistema capaz de trazer mais segurança para nós e pessoas com idade avançada. O cidadão coloca seu cartão-transporte em contato com um dispositivo, passando a ter 18 segundos e não apenas 12 para completar sua travessia. Esse acréscimo de tempo não prejudica nenhum condutor, pois terão de aguardar apenas três a cinco segundos a mais.

semaforo curitiba

O sistema que pode salvar muitas vidas foi desenvolvido pela empresa Dataprom e funciona graças a uma botoeira especial acoplada ao semáforo, que é acionada pelos cartões. Se você é um leitor curitibano, deve estar aliviado, certo? E não é para menos, pois lamentavelmente o número de vítimas fatais dos atropelamentos ocorridos na cidade, que são pessoas com deficiência ou idosos, ainda é muito alto, estando entre 35 e 40%.

Fica a torcida para que os testes sejam bem sucedidos e o mesmo sistema possa funcionar em muitos outros perigosos cruzamentos não só de Curitiba, mas também de muitas cidades do país, aliviando o medo de muitos pedestres, que por diversas questões relacionadas à saúde, podem não conseguir atravessar uma rua em poucos segundos.

Ideias como essa certamente contribuem para a melhoria da segurança, porém, sozinhas, não resolverão todo o problema. O respeito às dificuldades enfrentadas por idosos e pessoas com deficiência é um assunto ligado à educação e cidadania, portanto além do auxílio de recursos tecnológicos como esse, precisa haver um processo de amadurecimento e conscientização da sociedade em relação ele, permitindo que tais pessoas possam se locomover de acordo com suas capacidades e limitações.

Por outro lado, sempre defendi que independente do contexto, a inclusão social de minorias é uma via de mão dupla. A cooperação de todos é essencial, mas pessoas com deficiência e idosos não podem esperar que, rapidamente, qualquer cruzamento esteja em perfeitas condições, preocupando-se em passar por esses locais com o máximo de agilidade possível, estando atento às sinalizações e a conduta dos motoristas, mesmo que essa não seja a ideal. Se cada um fizer sua parte, sem deixar qualquer problema enfrentado o impedir de cumprir seu dever de cidadão, muito menos vidas serão perdidas precocemente, os motoristas poderão chegar ao seu destino e as pessoas com deficiência ou idosos poderão não só atravessar ruas, mas também muitas outras barreiras.

Saiba mais:

Gazeta do Povo

Prefeitura de Curitiba

Blog Ponto de Ônibus

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados à prática do futebol. Atualmente é assistente administrativo de comunicação da Zurich Seguros.