Afinal, o que é respeito?

É o reconhecimento dos limites de alguém? É a busca pela ética? É o seguimento dos padrões morais estabelecidos pela sociedade?

Não, o respeito vem de dentro.

Vem do berço, das conversas em família, do almoço de domingo, da escola e brincadeiras de roda.

Vem das relações entre amigos, do sentimento, da desconfiança, da personalidade.

O respeito está em nós, mas só é incitado pelo ensinamento e orientação, o que talvez esteja em falta hoje nas escolas…

Ou não seja a ausência de instrução. É apenas uma má articulação das notícias.

Há campanhas, sites, blogs, ONG’s, voluntários…

Enfim, falta ENGAJAMENTO.

respeito

E é por isso que, pelo tempo reduzido ao trabalho ou excesso de compromissos na agenda, você não tenha as necessárias condições de empenhar-se em uma causa formalizada, mas, as pequenas ações bastam (e remanescem)!

Respeitar deveria estar sempre na moda, ser assunto nos ‘trending topics’, estourar na mídia não só quando coisa ruim acontece. Deve fazer parte da nossa vivência, afinal, o respeito é o amor em roupas simples.

____________________

Texto de Agnes Ishi Assunção

Agnes Ishi Assunção é técnica em Design de Interiores pelo SENAC, atua como colaboradora em projetos sociais em Araçatuba/SP e plataforma virtuais com a divulgação e integração de causas diversas. Blogueira e musicista desde pequena, sempre buscou atuar na área de mobilização social.

Falta de acessibilidade…de quem é a culpa?

Infelizmente a gente tem que se virar de qualquer forma. Seja para ir numa loja, pagar uma conta ou passear, a gente esbarra com esses obstáculos pela cidade, como carros estacionados em rampas, por exemplo. – Atleta Tiago Pimentel, que sofreu um acidente na adolescência e hoje se locomove com cadeira de rodas.

Para muitos, esse relato não passa de mais um rotineiro desabafo, mas, afinal de contas, basta entender o problema tomando posicionamento de telespectadores ou devemos ir a fundo nessas questões e descobrir efetivamente, de quem é a culpa?

respeito-ao-proximo

Inicialmente, muitas respostas apresentarão certa ambiguidade, afinal, esse não é um dos mais fáceis assuntos de se conversar, mas, a falta de acessibilidade hoje é gerada por questões sociais e éticas sérias como o desrespeito e grosseria.

Um absurdo olharmos para a sociedade como a grande culpada, afinal de contas, os asfaltos não estão adequados, a ausência de rampas é extremamente visível, não há sinalização, adaptação, inclusão e diversas outras requisições.

Sim, de fato esses problemas existem e adjacente a eles está o DESRESPEITO, que acomete os infratores de leis vigentes.

Está na hora de ponderar diversas questões e principalmente a falta de ética ou conscientização daqueles que usam a clássica desculpa de que ‘’não vai demorar’’ ao estacionarem em vagas que não lhes são destinadas, ou dos proprietários de muitos estabelecimentos irregulares que utilizam 90% do espaço disponível para circulação nas calçadas.

Enfim, paremos!

Antes de julgar, reflita, afinal ‘’parece ser muito mais fácil culpar as coisas em vez de arrumá-las’’…

Falta acessibilidade e isso é um problema considerável, então, AJA, MOBILIZE, CONSCIENTIZE, E RESPEITE!

Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos – Eduardo Galeano

Referência:

http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2015/02/pessoas-com-deficiencia-reclamam-de-acessibilidade-em-imperatriz-ma.html

______________________

Texto de Agnes Ishi Assunção

Agnes Ishi Assunção é técnica em Design de Interiores pelo SENAC, atua como colaboradora em projetos sociais em Araçatuba/SP e plataforma virtuais com a divulgação e integração de causas diversas. Blogueira e musicista desde pequena, sempre buscou atuar na área de mobilização social.

Respeito é bom e nós gostamos

Nós, pessoas com deficiência, sofremos ao longo do tempo com o preconceito da sociedade. Termos extremamente pejorativos – e até maldosos – eram e ainda são usados para se referir ao nosso grupo. Você sabe bem disso, não é? Afinal, qual de nós nunca foi chamado de aleijado, doente, inválido ou incapaz?

Em meio a essa série de expressões absurdas, que revelam total desconhecimento sobre o que realmente representa ter uma deficiência, nunca paramos de lutar e exigir mais respeito de todos.

Orgulhe-se! O tempo mostra que nossa luta deu resultado!

Por que chegamos lá? Houve um entendimento coletivo de que não era preciso mascarar a deficiência ou as diferenças trazidas por ela, equívoco visível em termos como “pessoas especiais”. Muito menos tratar essa característica, tentando separá-la do indivíduo, engano cometido ao utilizar qualquer termo que contenha a palavra “portador”.

Eu concordo plenamente! E você? De qualquer forma, a situação já era melhor pelo fato desses termos, apesar de ainda serem inadequados, não mostrarem a agressividade e o insulto das outras expressões citadas, mas nossa caminhada só estava começando.

Se já sabíamos o que evitar, também era necessário definir quais direitos e bandeiras defendidas esse novo termo deveria simbolizar, dentre tantas lutas enfrentadas por nós. A gente poderia citar centenas, você não acha? Mas alguns são mais fortes e emblemáticos, tornando-se essenciais, como o retrato digno de nossa realidade, exaltando as diferenças e necessidades sentidas, para que possamos ser compreendidos e abrir o caminho da inclusão social e da igualdade.

Está de bom tamanho? Qual fator você acrescentaria?

Considerando tudo isso, além da importância de mostrar que não somos melhores, nem piores e sim seres humanos como todos, com muito potencial a ser desenvolvido e muitas melhorias a alcançar, a decisão tomada na Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência foi usar exatamente essa expressão em destaque.

Os participantes dessa convenção lutam para que essa decisão seja aprovada pela Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), assim todos os países membros passariam a utilizar a denominação “Pessoa Com Deficiência”, que já é defendida pela Constituição Brasileira.

O termo esclarece: ter uma deficiência é apenas uma dentre muitas características que uma pessoa pode vir a apresentar, sendo, portanto, insuficiente para fazer qualquer julgamento sobre ela, antes de conhecê-la melhor.

Com essa conquista, ensinamos duas grandes lições para a sociedade em que vivemos:

  • a primeira é a importância de ser cuidadoso na escolha das palavras. Às vezes, expressões que parecem similares, têm um significado completamente diferente. Aliás, blogueiros e comunicadores como nós, estão carecas de saber disso;
  • a segunda lição: respeito é bom e nós gostamos!

respeito-pessoas-com-deficiencia-esta-vaga-nao-e-sua

Ouça aqui mais explicações sobre o tema.

“Pessoas com deficiência têm o direito …

ao respeito pela sua dignidade humana …

aos mesmos direitos fundamentais que os concidadãos …
a direitos civis e políticos iguais aos de outros seres humanos …
a medidas destinadas a permitir-lhes a ser o mais autossuficientes possível …

a tratamento médico, psicológico e funcional [e]
a desenvolver suas capacidades e habilidades ao máximo [e]
apressar o processo de sua integração ou reintegração social …

à segurança econômica e social e a um nível de vida decente …

de acordo com suas capacidades, a obter e manter o emprego ou se engajar em uma ocupação útil, produtiva e remunerada e se filiar a sindicatos [e] a ter suas necessidades especiais levadas em consideração em todas as etapas do planejamento econômico e social …

a viver com suas famílias ou com pais adotivos e a participar de todas as atividades criativas, recreativas e sociais [e não] serem submetidas, em relação à sua residência, a tratamento diferencial, além daquele exigido pela sua condição …

[a] serem protegidas contra toda exploração, todos os regulamentos e todo tratamento abusivo, degradante ou de natureza discriminatória …
[e] a beneficiarem-se de assistência legal qualificada quando tal assistência for indispensável para a própria proteção ou de seus bens … “

da Declaração sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, proclamada pela Assembleia Geral da ONU em 9 de dezembro de 1975

Referências

http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal70/utilidade_publica_pessoas_deficiencia.aspx
http://portal.mte.gov.br/fisca_trab/por-que-se-adota-o-termo-pessoa-portadora-de-deficiencia-ou-pessoa-com-deficiencia.htm
http://www.selursocial.org.br/porque.html
http://www.pessoacomdeficiencia.curitiba.pr.gov.br/conteudo/terminologia/116#.UvQ3o8-PIdU
http://www.selursocial.org.br/convencao.html

___________________

Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.

Ser cadeirante

por Leticia Oliveira

 

 

Ser cadeirante é ter o poder de emudecer as pessoas quando você passa.

Ser cadeirante é não conseguir passar despercebido, mesmo quando você quer sumir! E ser completamente ignorado quando existe um andante ao seu lado. E isso não faz sentido, as pernas e os braços podem não estar funcionando bem, mas o resto está!

Ser cadeirante é amar elevadores e rampas e detestar escadas… Tapetes? Só se forem voadores, por favor! Ser cadeirante é andar de ônibus e se sentir como um “Power Ranger” a diferença é que você chega ao ponto e diz: “é hora de MOFAR”.

Ser cadeirante é ter alguém falando com você como se você fosse criança, mesmo que você já tenha mais de duas décadas.

Ser cadeirante é despertar uma cordialidade súbita e estabanada em algumas pessoas. É engraçado, mas a gente não ri, porque é bom saber que ao menos existem pessoas tentando nos tratar como iguais e uma hora eles aprendem!

Ser cadeirante é conquistar o grande amor da sua vida e deixar as pessoas impressionadas… E depois ficar impressionado por não entender o porquê do espanto.

Ser cadeirante é ter uma veia cômica exacerbada. É fato, só com muito bom humor pra tocar a vida, as rodas e o povo sem noção que aparece no caminho.

Ser cadeirante e ficar grávida é ter a certeza de ouvir: “Como isso
aconteceu?” Foi a cegonha, eu não tenho dúvidas! Os pés de repolho não são acessíveis! Ser cadeirante é ter repelente a falsidade. Amigos falsos e cadeiras são como objetos de mesma polaridade se repelem automaticamente.

Ser cadeirante é ser empurrado por ai mesmo quando você queria ficar parado. É saber como se sentem os carrinhos de supermercado! Ser cadeirante é encarar o absurdo de gente sem noção que acha que porque já estamos sentados podemos esperar, mesmo!

Ser cadeirante é uma vez na vida desejar furar os quatro pneus e o step de quem desrespeita as vagas preferenciais.

Ser cadeirante é se sentir uma ilha na sessão de cinema… Porque os espaços reservados geralmente são um tablado ou na turma do gargarejo e com uma distancia mais que segura pra que você não entre em contato com os outros andantes, mesmo que um deles seja seu cônjuge!

Ser cadeirante é a certeza de conhecer todos os cantinhos. Porque Deus do céu, todo mundo quer arrumar um cantinho para nós?

Ser cadeirante é ter que comprar roupas no “olhômetro” porque na maioria das lojas as cadeiras não entram nos provadores Ser cadeirante é viver e conviver com o fantasma das infecções urinárias. E desconfio seriamente que a falta de banheiros adaptados contribua para isso.

Ser cadeirante é se sentir o próprio guarda volumes ambulante em passeios pelo shopping Ser cadeirante é curtir handbike, surf, basquete e outras coisas que deixam os andantes sedentários morrendo de inveja. Ser cadeirante é dançar maravilhosamente, com entusiasmo e colocar alguns “pés-de- valsa” no bolso…

Ser cadeirante é ter um colinho sempre a postos para a pessoa amada… E isso é uma grannndeeee vantagem! Ser cadeirante (e mulher) é encarar o desafio de adaptar a moda pra conseguir ficar confortável além de mais bonita.

Ser cadeirante é se virar nos trinta pra não sobrar mês no fim do dinheiro, porque a conta básica de tudo que um cadeirante precisa… Ai… Ai… Ai… Essa merece ser chamada de Dolorosa.

Ser cadeirante é deixar um montão de médicos com cara de: “e agora o que eu faço” quando você entra pela porta do consultório… Algumas vezes é impossível entrar, a cadeira trava na porta…

Ser cadeirante é olhar um corrimão ou um canteiro no meio de uma rampa, ou se deparar com rampas que acabam em um degrau de escada e se perguntar: Onde estudou a criatura que projetou isso? Será mesmo que estudou?

Ser cadeirante é ter vontade de grudar alguns políticos em uma cadeira por um dia e fazer com que eles possam testar os lugares que enchem a boca pra chamar de acessíveis…

Ser cadeirante é ir à praia mesmo sabendo que cadeiras + areia + maresia não são uma boa combinação! Ser cadeirante é sentir ao menos uma vez na vida vontade de sentar no chão e jogar a cadeira na cabeça de outro ser humano.

 

Leticia Oliveira

Faça parte deste movimento

Uma nova mobilização pelo respeito às pessoas com deficiência vem ganhando espaço na rede.

A campanha de conscientização “Esta vaga não é sua nem por um minuto!” é uma iniciativa da agência TheGetz e surgiu a partir de um incidente envolvendo a empresária Mirella Prosdócimo e uma motorista por causa do uso indevido das vagas exclusivas e o desrespeito com os cadeirantes.

Precisamos conscientizar as pessoas que vagas especiais são para pessoas com necessidades especiais. Ajude a educar a população repassando esta campanha e dando o bom exemplo nas ruas. 😉

Todos são convidados a fazer parte deste movimento, vamos ajudar a divulgar a campanha e espalhar cidadania. No menu acima você descobre como fazer parte desse movimento e também pode baixar as artes dos materiais de campanha para produção.