Respeito é bom e nós gostamos

Nós, pessoas com deficiência, sofremos ao longo do tempo com o preconceito da sociedade. Termos extremamente pejorativos – e até maldosos – eram e ainda são usados para se referir ao nosso grupo. Você sabe bem disso, não é? Afinal, qual de nós nunca foi chamado de aleijado, doente, inválido ou incapaz?

Em meio a essa série de expressões absurdas, que revelam total desconhecimento sobre o que realmente representa ter uma deficiência, nunca paramos de lutar e exigir mais respeito de todos.

Orgulhe-se! O tempo mostra que nossa luta deu resultado!

Por que chegamos lá? Houve um entendimento coletivo de que não era preciso mascarar a deficiência ou as diferenças trazidas por ela, equívoco visível em termos como “pessoas especiais”. Muito menos tratar essa característica, tentando separá-la do indivíduo, engano cometido ao utilizar qualquer termo que contenha a palavra “portador”.

Eu concordo plenamente! E você? De qualquer forma, a situação já era melhor pelo fato desses termos, apesar de ainda serem inadequados, não mostrarem a agressividade e o insulto das outras expressões citadas, mas nossa caminhada só estava começando.

Se já sabíamos o que evitar, também era necessário definir quais direitos e bandeiras defendidas esse novo termo deveria simbolizar, dentre tantas lutas enfrentadas por nós. A gente poderia citar centenas, você não acha? Mas alguns são mais fortes e emblemáticos, tornando-se essenciais, como o retrato digno de nossa realidade, exaltando as diferenças e necessidades sentidas, para que possamos ser compreendidos e abrir o caminho da inclusão social e da igualdade.

Está de bom tamanho? Qual fator você acrescentaria?

Considerando tudo isso, além da importância de mostrar que não somos melhores, nem piores e sim seres humanos como todos, com muito potencial a ser desenvolvido e muitas melhorias a alcançar, a decisão tomada na Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência foi usar exatamente essa expressão em destaque.

Os participantes dessa convenção lutam para que essa decisão seja aprovada pela Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), assim todos os países membros passariam a utilizar a denominação “Pessoa Com Deficiência”, que já é defendida pela Constituição Brasileira.

O termo esclarece: ter uma deficiência é apenas uma dentre muitas características que uma pessoa pode vir a apresentar, sendo, portanto, insuficiente para fazer qualquer julgamento sobre ela, antes de conhecê-la melhor.

Com essa conquista, ensinamos duas grandes lições para a sociedade em que vivemos:

  • a primeira é a importância de ser cuidadoso na escolha das palavras. Às vezes, expressões que parecem similares, têm um significado completamente diferente. Aliás, blogueiros e comunicadores como nós, estão carecas de saber disso;
  • a segunda lição: respeito é bom e nós gostamos!

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Ouça aqui mais explicações sobre o tema.

“Pessoas com deficiência têm o direito …

ao respeito pela sua dignidade humana …

aos mesmos direitos fundamentais que os concidadãos …
a direitos civis e políticos iguais aos de outros seres humanos …
a medidas destinadas a permitir-lhes a ser o mais autossuficientes possível …

a tratamento médico, psicológico e funcional [e]
a desenvolver suas capacidades e habilidades ao máximo [e]
apressar o processo de sua integração ou reintegração social …

à segurança econômica e social e a um nível de vida decente …

de acordo com suas capacidades, a obter e manter o emprego ou se engajar em uma ocupação útil, produtiva e remunerada e se filiar a sindicatos [e] a ter suas necessidades especiais levadas em consideração em todas as etapas do planejamento econômico e social …

a viver com suas famílias ou com pais adotivos e a participar de todas as atividades criativas, recreativas e sociais [e não] serem submetidas, em relação à sua residência, a tratamento diferencial, além daquele exigido pela sua condição …

[a] serem protegidas contra toda exploração, todos os regulamentos e todo tratamento abusivo, degradante ou de natureza discriminatória …
[e] a beneficiarem-se de assistência legal qualificada quando tal assistência for indispensável para a própria proteção ou de seus bens … “

da Declaração sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, proclamada pela Assembleia Geral da ONU em 9 de dezembro de 1975

Referências

http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal70/utilidade_publica_pessoas_deficiencia.aspx
http://portal.mte.gov.br/fisca_trab/por-que-se-adota-o-termo-pessoa-portadora-de-deficiencia-ou-pessoa-com-deficiencia.htm
http://www.selursocial.org.br/porque.html
http://www.pessoacomdeficiencia.curitiba.pr.gov.br/conteudo/terminologia/116#.UvQ3o8-PIdU
http://www.selursocial.org.br/convencao.html

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.

Viver sem Limite

O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite foi lançado pela nossa presidente Dilma Roussef em 2011 para ressaltar o compromisso do Brasil com as prerrogativas da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU.

O plano tem ações desenvolvidas por 15 ministérios e a participação do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), que trouxe as contribuições da sociedade civil. O Viver sem Limite envolve todos os entes federados e prevê um investimento total de R$ 7,6 bilhões até 2014.

Confira o primeiro balanço do Plano:

Viver sem Limite

Confira a cartilha aqui.

 

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