O trabalho e a formação da PCD

O desemprego entre pessoas com deficiência chega a assustadores 52% [1].

Não é novidade que existe uma grande dificuldade em se inserir no mercado de trabalho quando isso exige adaptação e preparação por parte dos contratantes, e, embora esse cenário venha se modificando notoriamente, ainda é muito menos integrante do que poderia ser.

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A falta de acessibilidade e informação por parte dos contratantes é um obstáculo muito grande. Esses obstáculos vêm desde a educação, que é muito prejudicada entre PCDs*, e mais de 78% [1] da população com deficiência tem 7 anos de educação ou menos. O despreparo na educação reflete de modo muito negativo, e causa uma dificuldade ainda maior para a potencial população com idade para ingressar no mercado de trabalho.

A regularização da Lei de Cotas para a contratação de pessoas com deficiência auxilia na oferta de empregos, mas a passos mais lentos do que se gostaria. Segundo uma pesquisa realizada em Santa Maria, RS, [2] o número de empresas que não estão a par da Lei de Cotas, e desconhecem como aplicá-la é grande. Muitas não se comprometem com a empregabilidade de PCDs.

O ambiente de trabalho em que se encontra o trabalhador com deficiência também precisa ser modificado, levando em consideração o tipo de deficiência, de modo que até mesmo a apresentação de documentos tenha de ser modificada (para Braille, por exemplo). Detalhes que fazem uma diferença crucial na inclusão do trabalhador. E mesmo que a empresa forneça acessibilidade adequada, ainda assim o trabalhador com deficiência precisa enfrentar discriminação e falta de informação, fator que deve ainda ser trabalhado pelo contratante com os colegas de trabalho e supervisores.

mercado-de-trabalho-pessoa-com-deficiencia-esta-vaga-nao-e-sua-nem-por-um-minutoA oferta de cursos profissionalizantes muitas vezes negligencia a capacidade da pessoa com deficiência. Em Sorocaba, por exemplo, [4] são ofertados cursos como Biscuit, Crochê e Bijuteria. A formação nessas áreas é interessante, mas abranger as áreas ofertadas seria uma opção muito melhor. A carência de ofertas na educação é um fator limitante muito grave, e as pessoas com deficiência têm uma capacidade e potencial que faria a diferença no mercado, caso as devidas medidas fossem tomadas.

O que seria do Brasil, se milhões de pessoas com deficiência fossem capacitadas tal como suas habilidades e potencial permitem, e se houvessem ofertas de trabalho que condissessem com essa formação? E o que seria dessas pessoas, se tivessem essa oportunidade?

Há um espaço muito grande para melhoria. E ela vem ocorrendo, mas é preciso fazer muito mais ainda.

Contratar pessoa com deficiência, dependendo da dimensão da empresa, não é responsabilidade social. É obrigatoriedade. É inclusão social!
Lei nº 8.213, de 1991

* Pessoas com Deficiência

[1] http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BAFFE3B012BB0039E632D44/febraban.pdf

[2] http://bento.ifrs.edu.br/site/midias/arquivos/201007111045971tania_dubou.pdf

[3] http://www.portaldaempresa.pt/CVE/pt/FerramentasdeApoio/Guiao/listagem_gui_gestao/gui_valor_acrescentado_cidd_deficiencia.htm?Stage=4 [4] http://www.deficientefisico.com/a-questao-chave-na-empregabilidade-do-deficiente/

[4] http://www.deficientefisico.com/a-questao-chave-na-empregabilidade-do-deficiente/

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Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO, e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

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Ser cadeirante

por Leticia Oliveira

 

 

Ser cadeirante é ter o poder de emudecer as pessoas quando você passa.

Ser cadeirante é não conseguir passar despercebido, mesmo quando você quer sumir! E ser completamente ignorado quando existe um andante ao seu lado. E isso não faz sentido, as pernas e os braços podem não estar funcionando bem, mas o resto está!

Ser cadeirante é amar elevadores e rampas e detestar escadas… Tapetes? Só se forem voadores, por favor! Ser cadeirante é andar de ônibus e se sentir como um “Power Ranger” a diferença é que você chega ao ponto e diz: “é hora de MOFAR”.

Ser cadeirante é ter alguém falando com você como se você fosse criança, mesmo que você já tenha mais de duas décadas.

Ser cadeirante é despertar uma cordialidade súbita e estabanada em algumas pessoas. É engraçado, mas a gente não ri, porque é bom saber que ao menos existem pessoas tentando nos tratar como iguais e uma hora eles aprendem!

Ser cadeirante é conquistar o grande amor da sua vida e deixar as pessoas impressionadas… E depois ficar impressionado por não entender o porquê do espanto.

Ser cadeirante é ter uma veia cômica exacerbada. É fato, só com muito bom humor pra tocar a vida, as rodas e o povo sem noção que aparece no caminho.

Ser cadeirante e ficar grávida é ter a certeza de ouvir: “Como isso
aconteceu?” Foi a cegonha, eu não tenho dúvidas! Os pés de repolho não são acessíveis! Ser cadeirante é ter repelente a falsidade. Amigos falsos e cadeiras são como objetos de mesma polaridade se repelem automaticamente.

Ser cadeirante é ser empurrado por ai mesmo quando você queria ficar parado. É saber como se sentem os carrinhos de supermercado! Ser cadeirante é encarar o absurdo de gente sem noção que acha que porque já estamos sentados podemos esperar, mesmo!

Ser cadeirante é uma vez na vida desejar furar os quatro pneus e o step de quem desrespeita as vagas preferenciais.

Ser cadeirante é se sentir uma ilha na sessão de cinema… Porque os espaços reservados geralmente são um tablado ou na turma do gargarejo e com uma distancia mais que segura pra que você não entre em contato com os outros andantes, mesmo que um deles seja seu cônjuge!

Ser cadeirante é a certeza de conhecer todos os cantinhos. Porque Deus do céu, todo mundo quer arrumar um cantinho para nós?

Ser cadeirante é ter que comprar roupas no “olhômetro” porque na maioria das lojas as cadeiras não entram nos provadores Ser cadeirante é viver e conviver com o fantasma das infecções urinárias. E desconfio seriamente que a falta de banheiros adaptados contribua para isso.

Ser cadeirante é se sentir o próprio guarda volumes ambulante em passeios pelo shopping Ser cadeirante é curtir handbike, surf, basquete e outras coisas que deixam os andantes sedentários morrendo de inveja. Ser cadeirante é dançar maravilhosamente, com entusiasmo e colocar alguns “pés-de- valsa” no bolso…

Ser cadeirante é ter um colinho sempre a postos para a pessoa amada… E isso é uma grannndeeee vantagem! Ser cadeirante (e mulher) é encarar o desafio de adaptar a moda pra conseguir ficar confortável além de mais bonita.

Ser cadeirante é se virar nos trinta pra não sobrar mês no fim do dinheiro, porque a conta básica de tudo que um cadeirante precisa… Ai… Ai… Ai… Essa merece ser chamada de Dolorosa.

Ser cadeirante é deixar um montão de médicos com cara de: “e agora o que eu faço” quando você entra pela porta do consultório… Algumas vezes é impossível entrar, a cadeira trava na porta…

Ser cadeirante é olhar um corrimão ou um canteiro no meio de uma rampa, ou se deparar com rampas que acabam em um degrau de escada e se perguntar: Onde estudou a criatura que projetou isso? Será mesmo que estudou?

Ser cadeirante é ter vontade de grudar alguns políticos em uma cadeira por um dia e fazer com que eles possam testar os lugares que enchem a boca pra chamar de acessíveis…

Ser cadeirante é ir à praia mesmo sabendo que cadeiras + areia + maresia não são uma boa combinação! Ser cadeirante é sentir ao menos uma vez na vida vontade de sentar no chão e jogar a cadeira na cabeça de outro ser humano.

 

Leticia Oliveira

Faça parte deste movimento

Uma nova mobilização pelo respeito às pessoas com deficiência vem ganhando espaço na rede.

A campanha de conscientização “Esta vaga não é sua nem por um minuto!” é uma iniciativa da agência TheGetz e surgiu a partir de um incidente envolvendo a empresária Mirella Prosdócimo e uma motorista por causa do uso indevido das vagas exclusivas e o desrespeito com os cadeirantes.

Precisamos conscientizar as pessoas que vagas especiais são para pessoas com necessidades especiais. Ajude a educar a população repassando esta campanha e dando o bom exemplo nas ruas. 😉

Todos são convidados a fazer parte deste movimento, vamos ajudar a divulgar a campanha e espalhar cidadania. No menu acima você descobre como fazer parte desse movimento e também pode baixar as artes dos materiais de campanha para produção.

Efeito Mirella

Publicado orginalmente na Gazeta do Povo

O incidente envolvendo a empresária Mirella Prosdócimo e uma motorista por causa do uso indevido de uma vaga para deficientes, noticiado na sema­­na passada pela coluna, inspirou a agência TheGetz a criar uma campanha de conscientização, com o slogan “Esta vaga não é sua nem por um minuto!”. Segundo o diretor institucional da agência, Maurício Ramos, o movimento – cujo selo a coluna reproduz ao lado– será difun­­dido inicialmente nas redes sociais e em um site exclusivo.

Em seguida, será estendida para empresas e para a sociedade em geral. “Compramos a causa da Mirella”, diz Ramos.

Efeito Mirella 2

A marca da campanha, segundo ele, surgiu espontaneamente pelo Facebook e a agência decidiu adotá-la, com algumas adaptações. As primeiras peças ficam prontas nos próximos dias. Maurício acertou os detalhes da campanha ontem em uma reunião com Mirella.