Escadas podem deixar de ser problema para cadeirantes

Não é novidade que um dos maiores problemas enfrentados pelos cadeirantes são as escadas encontradas em locais sem elevadores, rampas ou outras alternativas mais acessíveis. Farta de enxergar essa triste realidade, a empresa inglesa Allgood Trio desenvolveu o Sesame, um sistema que concilia três importantes características de qualquer adaptação para cadeirantes: acessibilidade, simplicidade e estética.

O sistema fica alojado embaixo das escadas e nem é notado por pessoas sem deficiência. Quando um cadeirante chega ao local, automaticamente ou através do acionamento de um botão, o sistema faz os degraus recuarem, dando lugar a um elevador adaptado. Uma solução que poderia padronizar de forma mais consistente a acessibilidade de diferentes prédios e condomínios, tornando desnecessária a construção de rampas, que muitas vezes exigem grande esforço físico dos cadeirantes e não lhes proporcionam a independência de que precisam. E principalmente, fazendo das escadas um obstáculo mais fácil de superar.

Pouco se encontra sobre estimativas de custo ou possibilidades dessa ideia transcender fronteiras e se espalhar pelo mundo, mas aumenta nossa esperança de dar mais um passo rumo à inclusão social, usufruindo de um equipamento que não gera nenhum impacto negativo no meio ambiente, não obriga os cadeirantes a investir em caras cadeiras elétricas e o mais importante de tudo: afasta a necessidade de pedir o auxílio de terceiros.

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Já imaginou que maravilha nunca mais ser obrigado a deixar de ir a um local por excesso de escadas ou falta de rampas e elevadores? E, além disso, poupar as colunas dos seus familiares e amigos, que frequentemente se esforçam ao máximo para carregar você e sua cadeira? Vamos acreditar nessa possibilidade e torcer para o sistema Sesame chegar ao Brasil.

Está aí mais uma prova de que mesmo as dificuldades que insistem em nos limitar ao longo do tempo podem ser superadas se conseguirmos aliar estudo, força de vontade, empatia, inconformismo, inovação, funcionalidade, estética, gestão inteligente de recursos e fome de mudança. Que o elevador do sistema Sesame nos permita subir um degrau de cada vez e elevar nosso padrão de vida.

Referências:

http://www.allgood.co.uk/news.asp?info=Sesame+stairs+from+Allgood+Trio

http://ciclovivo.com.br/noticia/sistema-transforma-escada-em-elevador-para-cadeirantes

http://www.apparelyzed.com/forums/topic/30879-wheelchair-lift-with-retractable-hidden-steps-for-old-buildings/

http://www.rollingrains.com/rio_2016/2014/04/o-direito-de-ir-e-vir-os-allgood-trio-sesame-steps.html

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados à prática do futebol. Atualmente é assistente administrativo de comunicação da Zurich Seguros.

Tecnologia acessível para deficientes – é possível?

Michele de Souza possui um QI acima do normal, e desde pequena se interessa por construir próteses para deficientes físicos. Ela se dedica a criar, em seu próprio quintal de casa, equipamentos que auxiliem a busca da independência que muitas vezes PCDs têm dificuldade em alcançar.

Os preços astronômicos de equipamentos assim geralmente desanima e limita as opções dessas pessoas, mas as criações de Michele chegam a custar até mesmo 80% menos do que o preço de mercado. Esse preço causa estranheza nos investidores.

Michele aposta na cibernética e robótica para encontrar soluções para auxiliar PCDs, inclusive a se inserirem no mercado de trabalho. Um de seus produtos é a cadeira de rodas motorizada, 100% digital no Brasil. Seu controle pode se dar por joystick, por sopro ou por força da mandíbula. A melhor parte, porém, é que essa cadeira pode ser entregue pelo SUS.

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Veja mais a respeito dos produtos de Michele aqui.

A cada dia, temos tecnologias novas, ou às vezes nem tão novas, que se propõem a facilitar a vida de PCDs e permitir que conquistem sua independência. A disposição dessas tecnologias no dia-a-dia, de forma acessível, no entanto, é um sonho distante. Como Michele menciona no vídeo, muitas vezes a falta de financiamento, e a burocracia do governo que torna tudo mais complicado.

O incentivo à ciência no Brasil possui uma barreira de falta de investimentos que é historicamente presente, e pessoas como Michele têm de, na maior parte das vezes, recorrer a recursos próprios e a parcas doações e financiamentos.

A tecnologia existe, a solução existe. A acessibilidade, no entanto, ainda não. E enquanto existir uma falta de investimentos no empreendedor e no cientista brasileiro, haverá dificuldade em ingressar pessoas competentes e capazes no mercado de trabalho ou mesmo de permitir que possam andar pela cidade quando quiserem.

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Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO, e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

Nova, boa e barata

Esses três adjetivos já despertam sua curiosidade para saber de que novidade estou falando, certo? Dessa vez o grande beneficiado é você, cadeirante, que como eu, sofre quando precisa empurrar a cadeira em terrenos acidentados, tarefa difícil até para quem tenta nos ajudar. Vida dura, não é?

Relaxe! A cadeira de rodas própria para a areia, terra, lama, pedras, grama alta e outros obstáculos naturais, veio tornar nosso dia-a-dia um pouco melhor.

Acredite, ela é real e custa US$ 200!

Está pasmo? Se perguntando como foi possível criar algo assim?

O ex-estudante e atual professor assistente de engenharia mecânica do MIT (Massachusetts Institute Of Technology), Amos Winter, autor da invenção, se inspirou nas Mountain Bikes adaptadas (que têm marchas adequadas à velocidade que cada tipo de solo permite, mas são caras) e utilizou ferramentas, maçanetas e partes de uma bicicleta para desenvolver a Leveraged Freedom Chair ou Cadeira Alavancada Livre.

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Funciona da seguinte forma: o cadeirante usa duas alavancas móveis para conduzir a cadeira, dosando sua velocidade de acordo com o grau de força feita e com o ângulo alcançado. Em locais estreitos, essas alavancas podem ser guardadas e o equipamento se transforma numa cadeira com rodas de bicicleta, capaz de passar em portas, entrar embaixo de mesas ou dentro de banheiros.

Além dessas qualidades, a cadeira pode ser construída gastando cerca de 200 dólares ou consertada, utilizando peças fáceis de encontrar em qualquer local, de acordo com o tipo de terreno por onde se vai andar, o que possibilita ao usuário percorrer distâncias maiores e ter mais acesso a comunidade, educação e trabalho, através de um equipamento que combina bem engenharia, design, fatores econômicos e sociais.

A Cadeira Alavancada Livre passou por muitos testes em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, nos quais o feedback dos usuários foi a fonte para a realização de todas as mudanças que a tornaram cada vez mais leve, funcional e eficiente, se comparada a uma cadeira de rodas comum.

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Teste realizado no Quênia.

Em 2011, Amos Winter conseguiu se associar a Continuum, uma empresa de design, localizada em Boston, que produziu uma versão especial da cadeira, voltada ao público de alto poder aquisitivo dos Estados Unidos ou da Europa.

Ciente da importância do usuário no processo de desenvolvimento dos produtos, o acadêmico criou também a empresa social Global Research Innovation and Technology, que se associou a indústria Pinnacle e a Jaipur Foot, uma das entidades mais importantes do mundo que trata de questões ligadas a pessoas com deficiência, para cuidar da comercialização das Cadeiras Alavancadas Livres em países como a Índia, onde a taxa de adesão foi de 90%.

De acordo com as previsões, em 2013, as Cadeiras Alavancadas Livres já estariam disponíveis para compra. O material publicado na Internet sobre o produto não explica, passo a passo, como montar uma cadeira dessas, mas foram fornecidos dois endereços de e-mail para mais informações: info@gogrit.org ou awinter@mit.edu, do próprio criador.

Se você está interessado no produto, mas não domina o idioma inglês, não se preocupe! No Google e na Web existem vários sistemas de tradução, que possibilitam o contato, apesar de não serem perfeitos.

OBS: O produto ainda não está disponível nos Estados Unidos, apenas em países subdesenvolvidos para pedidos de 100 ou mais cadeiras. Para receber novidades, cadastre-se aqui (em inglês).

Essa é mais uma prova de que a criatividade, a inteligência, o conhecimento e o trabalho de equipe podem juntos, superar qualquer barreira e nos levar a tão sonhada independência. Lutemos unidos pela divulgação e o crescimento de ideias como essa, que nos tornam melhores e mais capazes a cada dia.

Que as alavancas dessa cadeira elevem nossa qualidade de vida!  Com elas, não tem terreno ruim!

Referências:

http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/amos_winter_the_cheap_all_terrain_wheelchair.html

http://web.mit.edu/awinter/www/

http://www.gogrit.org/lfc.html

http://edition.cnn.com/2013/05/09/tech/innovation/leveraged-freedom-chair-innovative-wheelchair/

http://www.core77.com/blog/sustainable_design/case_study_leveraged_freedom_chair_by_amos_winter_jake_childs_and_jung_takenabling_freedom_for_the_disabled_in_developing_countries_18507.asp

http://d-lab.mit.edu/scale-ups/LFC

http://pt.scribd.com/doc/136790897/A-Cadeira-Freedom-Alavancada

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.