Nova, boa e barata

Esses três adjetivos já despertam sua curiosidade para saber de que novidade estou falando, certo? Dessa vez o grande beneficiado é você, cadeirante, que como eu, sofre quando precisa empurrar a cadeira em terrenos acidentados, tarefa difícil até para quem tenta nos ajudar. Vida dura, não é?

Relaxe! A cadeira de rodas própria para a areia, terra, lama, pedras, grama alta e outros obstáculos naturais, veio tornar nosso dia-a-dia um pouco melhor.

Acredite, ela é real e custa US$ 200!

Está pasmo? Se perguntando como foi possível criar algo assim?

O ex-estudante e atual professor assistente de engenharia mecânica do MIT (Massachusetts Institute Of Technology), Amos Winter, autor da invenção, se inspirou nas Mountain Bikes adaptadas (que têm marchas adequadas à velocidade que cada tipo de solo permite, mas são caras) e utilizou ferramentas, maçanetas e partes de uma bicicleta para desenvolver a Leveraged Freedom Chair ou Cadeira Alavancada Livre.

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Funciona da seguinte forma: o cadeirante usa duas alavancas móveis para conduzir a cadeira, dosando sua velocidade de acordo com o grau de força feita e com o ângulo alcançado. Em locais estreitos, essas alavancas podem ser guardadas e o equipamento se transforma numa cadeira com rodas de bicicleta, capaz de passar em portas, entrar embaixo de mesas ou dentro de banheiros.

Além dessas qualidades, a cadeira pode ser construída gastando cerca de 200 dólares ou consertada, utilizando peças fáceis de encontrar em qualquer local, de acordo com o tipo de terreno por onde se vai andar, o que possibilita ao usuário percorrer distâncias maiores e ter mais acesso a comunidade, educação e trabalho, através de um equipamento que combina bem engenharia, design, fatores econômicos e sociais.

A Cadeira Alavancada Livre passou por muitos testes em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, nos quais o feedback dos usuários foi a fonte para a realização de todas as mudanças que a tornaram cada vez mais leve, funcional e eficiente, se comparada a uma cadeira de rodas comum.

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Teste realizado no Quênia.

Em 2011, Amos Winter conseguiu se associar a Continuum, uma empresa de design, localizada em Boston, que produziu uma versão especial da cadeira, voltada ao público de alto poder aquisitivo dos Estados Unidos ou da Europa.

Ciente da importância do usuário no processo de desenvolvimento dos produtos, o acadêmico criou também a empresa social Global Research Innovation and Technology, que se associou a indústria Pinnacle e a Jaipur Foot, uma das entidades mais importantes do mundo que trata de questões ligadas a pessoas com deficiência, para cuidar da comercialização das Cadeiras Alavancadas Livres em países como a Índia, onde a taxa de adesão foi de 90%.

De acordo com as previsões, em 2013, as Cadeiras Alavancadas Livres já estariam disponíveis para compra. O material publicado na Internet sobre o produto não explica, passo a passo, como montar uma cadeira dessas, mas foram fornecidos dois endereços de e-mail para mais informações: info@gogrit.org ou awinter@mit.edu, do próprio criador.

Se você está interessado no produto, mas não domina o idioma inglês, não se preocupe! No Google e na Web existem vários sistemas de tradução, que possibilitam o contato, apesar de não serem perfeitos.

OBS: O produto ainda não está disponível nos Estados Unidos, apenas em países subdesenvolvidos para pedidos de 100 ou mais cadeiras. Para receber novidades, cadastre-se aqui (em inglês).

Essa é mais uma prova de que a criatividade, a inteligência, o conhecimento e o trabalho de equipe podem juntos, superar qualquer barreira e nos levar a tão sonhada independência. Lutemos unidos pela divulgação e o crescimento de ideias como essa, que nos tornam melhores e mais capazes a cada dia.

Que as alavancas dessa cadeira elevem nossa qualidade de vida!  Com elas, não tem terreno ruim!

Referências:

http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/amos_winter_the_cheap_all_terrain_wheelchair.html

http://web.mit.edu/awinter/www/

http://www.gogrit.org/lfc.html

http://edition.cnn.com/2013/05/09/tech/innovation/leveraged-freedom-chair-innovative-wheelchair/

http://www.core77.com/blog/sustainable_design/case_study_leveraged_freedom_chair_by_amos_winter_jake_childs_and_jung_takenabling_freedom_for_the_disabled_in_developing_countries_18507.asp

http://d-lab.mit.edu/scale-ups/LFC

http://pt.scribd.com/doc/136790897/A-Cadeira-Freedom-Alavancada

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.

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A grande inovação da Copa 2014

Você, que é cadeirante, não tem movimento nos membros inferiores, adora futebol e sonha em jogar uma partida.

Prepare-se!  Seu sonho pode se tornar realidade.

Está achando que não leu direito? Leu, sim! Cientistas comandados por Miguel Nicolelis* estão trabalhando num projeto que fará um paraplégico dar o pontapé inicial do primeiro jogo válido pela Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Fruto de uma parceria da universidade americana Duke com instituições alemãs, suíças e brasileiras, o “Walk Again Project” ou “Projeto Andar de novo” almeja, nada mais nada menos, do que desenvolver a capacidade de movimento em vítimas de lesões ou doenças neuromotoras. Você certamente deve estar se perguntando: “Como isso será possível?”

Segundo Miguel Nicolelis, a ideia é utilizar uma roupa mecânica chamada de Exoesqueleto. Ela reagirá a estímulos cerebrais, que através de neuropróteses, poderão promover uma conexão harmoniosa entre cérebro e máquina, capaz de alavancar significativa evolução em matéria de reabilitação motora.

Experiências feitas com os Exoesqueletos em animais e humanos, tiveram resultado positivo, mostrando que por meio de um processo de codificação e decodificação, pode-se usar a atividade elétrica para controlar os movimentos da roupa mecânica. O cientista frisa que a eficiência do projeto depende de ajustar esse processo a fatores da coordenação motora, o que levaria o cérebro a entender o aparelho como parte do corpo.

Os felizardos que podem ter a honra de estrear o Exoesqueleto sob os holofotes da imprensa mundial, protagonizando um possível histórico avanço da ciência, estão sendo submetidos a exercícios que fazem parte de uma preparação especial conduzida pela AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).

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Está surpreso? Eu também estou! Agora só resta aguardar com ainda mais ansiedade o dia 12 de junho de 2014, quando antes mesmo do jogo começar, será marcado o primeiro golaço da Copa, que para Miguel Nicolelis, pode futuramente representar a aposentadoria das cadeiras de roda.

Portanto digo a você e a todos os cadeirantes que lerem esse texto: “Renove suas esperanças de um dia entrar em campo como um vencedor no futebol e na vida.”

*Miguel Nicolelis

Miguel Ângelo Laporta Nicolelis formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e hoje dedica-se a estudos voltados para a neurociência na Universidade Duke (EUA), onde, apoiado por um grupo de cientistas, busca desenvolver formas de conectar o cérebro humano a máquinas, formando uma espécie de prótese neural capaz de reparar perdas motoras causadas por paralisias corporais em diversos pacientes. Na mesma instituição, Nicolelis é professor titular de neurobiologia, engenharia biomédica e co-diretor do Centro de Neuroengenharia. O cientista desenvolveu, por exemplo, um sistema de braços robóticos reconhecido pelo Massachusetts Institute Of Technology (MIT), como uma das tecnologias que vai mudar o mundo. Algumas experiências desenvolvidas por ele nos Estados Unidos também são trabalhadas no Instituto Internacional de Neurociências de Natal. Toda essa bagagem rendeu a Miguel Nicolelis prêmios como o Pioneer, o Transformative R01 e o título de um dos 20 maiores cientistas do mundo na década passada, concedido pela revista americana “Scientific American”.

Fonte 1.
Fonte 2.
Fonte 3.

Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.