Bienal Internacional do Livro: atividades com recursos de acessibilidade oferecem imersão na arte para público com deficiência

Em parceria com a ONG Mais Diferenças, especializada na educação e cultura inclusivas e com a artista plástica Chris Mazzota, serão realizadas mediações dentro do estande das Edições Sesc São Paulo com espaço e funcionalidade adaptados para deficientes visuais e auditivos.

Nesse sentido, os visitantes poderão vivenciar o mundo de Joseph Beuys (1921-1986), um dos artistas alemães de vanguarda mais importantes do pós-guerra. Depois, é a vez de entender o trabalho do artista plástico cearense Aldemir Martins (1922-2006). O pintor, fotógrafo e artista plástico Geraldo de Barros (1923-1988) também será tema de uma das atividades. E, no último dia, é hora de entrar no universo do artista multimídia britânico Isaac Julien e dos fotógrafos da chamada Geração 00.

A intenção das mediações é aproximar as obras e os conteúdos do público com e sem deficiência, a partir de formatos e mídias que extrapolam o livro. Assim, em todas as atividades propostas pela ONG Mais Diferenças, haverá conteúdo audiovisual, que descreve brevemente o livro e alguns textos escolhidos que representam de forma sucinta e objetiva o artista, sua obra e trajetória. O conteúdo será apresentado com audiodescrição, subtitulação e interpretação de LIBRAS.

As atividades tanto apresentam a obra do artista a partir de apreciação tátil dos materiais que eles costumavam trabalhar, quanto incentivam a produção gerada por meio de experiências estéticas junto ao universo de cada artista.

livrobraile

Confira abaixo a programação completa dasMediações*:

*Inscrições no local, a partir das 10h. Vagas limitadas.

25/8, segunda, às 16h

Vestindo Joseph Beuys

Uma impressão fotográfica com o elemento da rosaem relevo tátil da obra “Wewon’t Do It withoutthe Rose” (1972) será disponibilizada para apreciação visual, tátil e olfativa.

Para a atividade de produção, a ONG Mais Diferenças propõe que os participantes desenhem em papel, blocos de cera ou materiais maleáveise escrevam, colem ou gravem uma fala a respeito de mudanças ambientais e sociais. Haverá também distribuição de sementes de flores e plantas e sugestão de acompanhamento e divulgação do resultado.

26/8, terça, às 16h

O Brasil de Aldemir Martins

Como meio característico de transporte no Brasil nas décadas em que o artista emigrou de sua terra natal para o sudeste do país, o trem é uma imagem forte e simbólica.

Com a intenção de ilustrar os temas e ofício do artista, um trem de madeira colorido repleto de objetos com pinceis, goivas, lápis e esculturas de madeira estará disponível ao público para que interajam com os materiais.

Como plataforma de fruição multissensorial, uma matriz em madeira baseada na obra “Dois Peixes” será disponibilizada para o contato visual e tátil.

A ONG Mais Diferenças convida o público a desenhar, dar depoimentos ou usar outras plataformas de produção artística para mostrar qual é a cara do mundo em que ele vive.

 

27 e 29/8, quarta e sexta, às 16h

Experimentando com Isaac Julien e a Geração 00

A artista plástica Chris Mazzotta, especializada em trabalhos de inclusão social, convida o público a vivenciar por outros meios e formas o universo do artista inglês Isaac Julien e dos fotógrafos da chamada Geração 00.

A voz da instrutora descreve brevemente a obra fotográfica. Ao mesmo tempo, a imagem da obra vem projetada com uma música ao fundo, e então a artista orienta a leitura tátil de um modelo em baixo relevo que reproduz a obra projetada. Os participantes são convidados a reproduzir suas impressões táteis com massa de modelar em um suporte preparado. A atividade propõe uma interação entre patrimônios oníricos pessoais, potencialidades e habilidades que serão expressas.

28/8, quinta, às 14h

Mil e um Geraldos

Para ilustrar o artista e seus infindáveis ofícios, a ONG Mais Diferenças vai produzir um pequeno armário para abarcar diversos objetos que o artista fazia uso. Alguns deles são: máquina fotográfica antiga, pedaços de concreto, fórmica e madeira (formas geométricas) e miniaturas de móveis. A obra “Pai de Todos” será desenvolvida em diferentes espessuras de madeira (MDF) ou fórmica pretas e brancas para apreciação tátil.

Será proposto que as pessoas observem ou tateiem seu entorno, no caso, o estande dasEdições Sesc São Paulo, e desenhem ou relatem a experiência estética gerada por determinado objeto.

Para saber mais, acesse: www.bienaldolivrosp.com.br

SERVIÇO

Estande das Edições Sesc São Paulo na 23ª Bienal Internacional do Livro

Onde: K500, Alameda K.

Data: 22 a 31 de agosto de 2014, de segunda a sexta, das 9h às 22h / Sábado e domingo, 10h às 22h (dia 31, somente até às 21h).

Local:Pavilhão de Exposições do Anhembi

Uma aliada que torna nossa vida mais fácil

Algumas pessoas com deficiência infelizmente não conseguem se locomover sozinhas e dependem de ajuda profissional para ter qualidade de vida. Muitas vezes o esforço feito por ambos pode causar grande desconforto para a PCD e sérias lesões nas costas do ajudante.

Com o objetivo de mudar essa dura realidade, uma equipe de designers formada por Tsai Jui-An, Tsai Meng-Hong e Cheng Ka-Man desenvolveu a Lady Shifting, uma cadeira-cama que facilita a locomoção de pessoas sem mobilidade.

Lady_Shifting

Como assim? Acalmem-se eu explico: o equipamento não obriga o profissional a suportar todo o peso da pessoa com deficiência, então vamos supor que o objetivo do prestador de cuidados seja colocá-la na cama. Para isso, ele deve posicionar os pés dela sob a base preta do equipamento, alinhando os joelhos da pessoa com a parte de baixo da almofada. Depois, basta posicioná-la em cima da armação redonda, segurar seus braços e alavancar o dispositivo, que eleva a PCD, controlando a Lady Shifting com o pé. Dessa forma, o equipamento é manobrado, colocando a pessoa na posição vertical antes de chegar à cama.

Bem, infelizmente esse acessório não dá independência para pessoas com uma limitação física realmente grande, mas sem dúvida facilita sua vida e de todos que a auxiliam no dia a dia. Acredito que não seja nada fácil, especialmente para essas PCDs, conviver com os obstáculos cotidianos, porém, como qualquer um de nós, elas lutam e encontram boas alternativas, está aí um ótimo exemplo.

Afinal, se algumas partes de seu corpo não funcionam como deveriam, é possível compensar essa dificuldade com determinação, mexendo todos os pauzinhos que estiverem ao alcance para evoluir, sempre acreditando que se pode construir uma vida melhor, com mais qualidade, e alegria, colecionando histórias de superação.

Espero que a Lady Shifting te ajude, mas nunca se acomode porque ficou mais fácil deitar na cama.

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados à prática do futebol. Atualmente é assistente administrativo de comunicação da Zurich Seguros.

Mais segurança para nós

No dia a dia, pessoas com deficiência e idosos correm sério risco de atropelamento nas grandes metrópoles do país, pela excessiva rapidez com que os semáforos abrem, permitindo a passagem dos motoristas, que se recusam a respeitar as faixas de pedestre.

Em Curitiba, está sendo testado um sistema capaz de trazer mais segurança para nós e pessoas com idade avançada. O cidadão coloca seu cartão-transporte em contato com um dispositivo, passando a ter 18 segundos e não apenas 12 para completar sua travessia. Esse acréscimo de tempo não prejudica nenhum condutor, pois terão de aguardar apenas três a cinco segundos a mais.

semaforo curitiba

O sistema que pode salvar muitas vidas foi desenvolvido pela empresa Dataprom e funciona graças a uma botoeira especial acoplada ao semáforo, que é acionada pelos cartões. Se você é um leitor curitibano, deve estar aliviado, certo? E não é para menos, pois lamentavelmente o número de vítimas fatais dos atropelamentos ocorridos na cidade, que são pessoas com deficiência ou idosos, ainda é muito alto, estando entre 35 e 40%.

Fica a torcida para que os testes sejam bem sucedidos e o mesmo sistema possa funcionar em muitos outros perigosos cruzamentos não só de Curitiba, mas também de muitas cidades do país, aliviando o medo de muitos pedestres, que por diversas questões relacionadas à saúde, podem não conseguir atravessar uma rua em poucos segundos.

Ideias como essa certamente contribuem para a melhoria da segurança, porém, sozinhas, não resolverão todo o problema. O respeito às dificuldades enfrentadas por idosos e pessoas com deficiência é um assunto ligado à educação e cidadania, portanto além do auxílio de recursos tecnológicos como esse, precisa haver um processo de amadurecimento e conscientização da sociedade em relação ele, permitindo que tais pessoas possam se locomover de acordo com suas capacidades e limitações.

Por outro lado, sempre defendi que independente do contexto, a inclusão social de minorias é uma via de mão dupla. A cooperação de todos é essencial, mas pessoas com deficiência e idosos não podem esperar que, rapidamente, qualquer cruzamento esteja em perfeitas condições, preocupando-se em passar por esses locais com o máximo de agilidade possível, estando atento às sinalizações e a conduta dos motoristas, mesmo que essa não seja a ideal. Se cada um fizer sua parte, sem deixar qualquer problema enfrentado o impedir de cumprir seu dever de cidadão, muito menos vidas serão perdidas precocemente, os motoristas poderão chegar ao seu destino e as pessoas com deficiência ou idosos poderão não só atravessar ruas, mas também muitas outras barreiras.

Saiba mais:

Gazeta do Povo

Prefeitura de Curitiba

Blog Ponto de Ônibus

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados à prática do futebol. Atualmente é assistente administrativo de comunicação da Zurich Seguros.

Óculos comunicativos

Todo o mundo sabe que óculos são feitos para compensar problemas de visão ou proteger os olhos do sol, mas já pensou em um modelo diferenciado capaz de permitir a portadores de sérias doenças, se comunicar com parentes, amigos e qualquer outra pessoa? Eles existem e chamam-se EyeSpeak, uma invenção da empresa portuguesa LusoVU/Luso Space.

Essa nova e criativa tecnologia funciona da seguinte forma: os óculos projetam um teclado virtual que pode ser visualizado pelo usuário e uma microcâmera monitora a posição de seus olhos, identificando a tecla selecionada. Após “escrever” o que deseja, a pessoa com deficiência aciona o botão “falar” e aquilo que foi escrito é narrado para quem dialoga com ela.

O usuário do equipamento pode “digitar” cerca de 100 letras por minuto e utilizá-lo não apenas para se comunicar, como também com a finalidade de navegar na Internet, sem necessidade de estar conectado a algum computador.

eyespeak

Por volta de 2 milhões de pessoas têm doenças que afetam diretamente a capacidade comunicativa, portanto o EyeSpeak já está fazendo sucesso no mercado, certo? Pasme, mas a resposta é não! Lamentavelmente, a Luso VU/Luso Space só conseguirá lançar o equipamento se a campanha de financiamento coletivo online organizada, mobilizar muitos interessados em apoiar a iniciativa. Até dia 24/07 foram arrecadados 18.871,14 Euros e são necessários 110.269,27. Agora resta menos de um mês para juntar o que falta.

Não é o primeiro texto que escrevo sobre ótimas ideias desperdiçadas por falta de apoio e financiamento. Portanto, novamente faço um apelo aos leitores desse blog, pedindo que divulguem essa iniciativa, buscando contato com alguém que possa e, principalmente, queira contribuir para que 2.000.000 de pessoas tenham a oportunidade de descobrir como é prazeroso e importante se comunicar, alcançando desenvolvimento e fazendo diferença no mundo. Certamente todas terão muito a nos dizer.

Creio que quem se envolve com causas relacionadas a pessoas com deficiência, consegue entender com mais facilidade a importância de fazer bem ao próximo e ajudar quem passa por problemas semelhantes aos nossos no dia a dia. Vamos fazer a sociedade enxergar como essas atitudes são importantes. Lutemos para que o EyeSpeak seja um marco em nossa batalha por inclusão social!

Mais sobre o assunto:

Facebook da Luso VU

Deficientes em Ação

ASDEF

Luso Space

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados à prática do futebol. Atualmente é assistente administrativo de comunicação da Zurich Seguros.