A Copa do Mundo nos decepcionou

Ontem se encerrou o Campeonato Mundial de futebol no Brasil e para nós, pessoas com deficiência, uma decepção foi muito maior do que a derrota da nossa Seleção. Como se já não bastasse todo o dinheiro público gasto na construção de estádios que rapidamente se tornarão elefantes brancos, deixando de lado inúmeros assuntos que deveriam ser prioritários para o país, como saúde, educação e transporte, uma promessa não cumprida pela TV Globo, desprestigiou o único momento dedicado a nós na cerimônia de abertura do evento.

Conforme informou um dos meus textos publicados neste blog em 2013, intitulado “A grande inovação da Copa de 2014”, o exoesqueleto desenvolvido pelo neurocientista Miguel Nicolelis seria apresentado diante da imprensa internacional, como um equipamento capaz de fazer um paraplégico chutar uma bola.

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E assim aconteceu, Juliano Pinto, 29, foi o escolhido para protagonizar tamanho avanço da ciência. Agora você deve estar se perguntando: por que um acontecimento tão importante se transformou numa grande decepção? Porque a exibição dessa imagem durou cerca de 1 segundo e o narrador nem se quer explicou ao público o que aquilo significava, conforme a Globo havia prometido. Mais tarde, a consciência de algum profissional pesou e na reprise da cerimônia, houve o atrasado anúncio do progresso que seria testemunhado, mas a emissora não tinha imagens recuperadas desse histórico chute.

Atitude lamentável de um dos oito maiores grupos midiático do país, que já chegou a abordar questões ligadas à pessoas com deficiência em uma de suas novelas televisionadas em horário nobre e na época se dizia muito preocupado com a inclusão social.

Através desse texto, registro meu protesto em nome de todos os leitores do blog e PCDs como eu. Diferente de novelas ou da Copa do Mundo, o exoesqueleto certamente poderá mudar a vida de muitos deficientes físicos, proporcionando-lhes mais mobilidade, independência e oportunidade de praticar atividades até então inacessíveis.

É uma pena que o dever de informar, serviço público de vital importância, esteja se tornando uma guerra comercial de poderosos que têm liberdade para formar opinião pública e selecionam diariamente tudo o que o cidadão deve ou não saber. Isso fere todos os princípios da democracia de forma perversa e alienante.

Produtos da indústria do entretenimento, como as novelas, por exemplo, têm papel fundamental nesse processo, causando um efeito anestésico nos telespectadores, transmitindo sempre a mesma mensagem falsa: “Calma, que no fim tudo acaba bem e todos vivem felizes para sempre”, uma ousada tentativa de evitar que percebamos a realidade enquanto nos divertimos com fictícias histórias de paixão.

Apesar de ser real, o futebol nada mais é do que uma grande paixão. A Copa do Mundo teve excelentes jogos e grandes craques esbanjando talento em nossos gramados, mas não nos deixemos enganar, pois os bilhões de reais investidos que vão parar no bolso das TVs e de inúmeros políticos, poderiam evitar a morte de muitas pessoas por falta de atendimento médico, democratizar o mercado de trabalho, dando acesso ao estudo para todos os nossos jovens, fornecer condições dignas de transporte a cidadãos que lutam pelo pão de cada dia em condições precárias e preservar nossa natureza.

A grande mídia atua como um exoesqueleto do mal, que faz da nossa cabeça, sua bola de futebol, conduzindo-a da forma que quiser. Grandes veículos de comunicação deixam de retratar tristes realidades como essa em troca de muito dinheiro e, além disso, não mostra coisas boas, como o exoesqueleto do bem desenvolvido por Miguel Nicolelis. Que através dele, muitos deficientes físicos possam chutar não só uma bola, mas também a canela da mídia brasileira, que passa longe de ser democrática, diz que quer nos informar e divertir, mas só deseja nos enganar e ter mais poder.

Vistam seus exoesqueletos do bem, chutem a bola e nos ajudem a virar esse jogo!

Confira alguns veículos que falaram sobre o assunto:

Deficientes em Ação

Uol

O Povo

Tecno blog

Pará Online

Eco Finanças

Clic RBS

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados à prática do futebol. Atualmente é assistente administrativo de comunicação da Zurich Seguros.

Cartões de estacionamento para idosos e PCDs – Porto Alegre

Em Porto Alegre, inclusão e acessibilidade. Saiba como:

Você idoso ou pessoa com deficiência já teve dores de cabeça com vagas de estacionamento? Esse seu direito foi injustamente questionado alguma vez? Ou em muitas ocasiões, viu cidadãos que não se enquadram em nenhum desses dois grupos utilizarem essas vagas de forma ilegal?

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Se a resposta das três perguntas for sim, saiba que existe um cartão de estacionamento criado para regulamentar o uso desses espaços. Saiba como obter esse documento de acordo com o estado onde você vive.

PORTO ALEGRE

As PCDs gaúchas de Porto Alegre devem se cadastrar na ouvidoria da SMACIS (Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social).

Endereço: Rua Siqueira Campos, 1.300, 2° andar, sala 202

Horário de funcionamento: 09h às 11h30 e 13h30 às 17h30

Telefones:(51) 3289.1244 e (51) 3289.1141

Documentos necessários após o cadastramento:

– Atestado médico emitido a menos de 90 dias, contendo nome, tipo de deficiência, classificação no Código Internacional de doenças (CID) e carimbo com assinatura do médico e data;

– Cópia da CNH ou do RG em que conste também o número do CPF;

– Cópia do certificado de registro do veículo;

– Requerimento para solicitar a credencial

– Pagamento da taxa de recolhimento no valor de R$ 9,70

 Clique aqui para ver como funciona o procedimento nas outras cidades do Rio Grande do Sul.

Os idosos gaúchos deverão comparecer ao setor de atendimento ao cidadão da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação).

Endereço: Avenida Ipiranga 1138

Horário de funcionamento: 8h30 às 17h

Cópias de documentos necessários após o preenchimento de uma ficha prévia

– RG;

– CPF;

– Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo

São cobrados R$ 13,24 pela emissão do cartão, se mantém a obrigatoriedade de pagar estacionamento e não é necessário morar em Porto Alegre.

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados à prática do futebol. Atualmente é assistente administrativo de comunicação da Zurich Seguros.