Superproteção

Proteger: uma ação natural àquilo ou alguém a quem queremos preservar, guardar de perigos. Quando se sabe que esse alguém está sujeito a um ambiente notoriamente hostil, nosso instinto diz para guardá-los numa bolha de amor, carinho e cuidados.

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Isso é normal e saudável até certo ponto, porém o excesso de preservação pode levar a diversos problemas. Quando se trata de uma criança com deficiência, o cuidado é ainda maior, afinal o bullying é uma situação real e preocupante – nenhum pai ou mãe quer expor seus filhos a uma situação que é quase certa. E quando a deficiência é mental, a superproteção acontece ainda mais, pois essa criança está ainda mais exposta a bullying e com dificuldades maior em responder aos comentários maldosos.

Até que ponto, porém, proteger é saudável? O desenvolvimento emocional de uma criança pode sofrer muito com essa falta de exposição ao mundo. Impedir que a pessoa encare situações em que possa estar exposta a comentários maldosos e provocações pode ser a resposta mais confortável e que imediatamente queremos adotar – mas não é a mais correta.

Para chegar ao estado emocional em que chegamos, tivemos de ouvir muita bobagem, ignorar muitos comentários mal-intencionados e até responder de volta. Mas, nesse caminho, fizemos amigos, e compartilhávamos nossos medos e problemas com eles e a família, e a cada tropeço que dávamos, levantávamos mais fortes e experientes.

Estamos num momento da história em que caminhamos a passos lentos para uma aceitação de pessoas “diferentes” e, entre os passos mais lentos está a aceitação de PCDs. Ainda assim, isolar uma criança do mundo porque outras crianças podem ou não ser maldosas, porque ela pode se machucar é injusto. É evitar que ela evolua emocionalmente. É dizer, até sem querer, que ela não é “boa” o bastante para enfrentar o mundo sozinha, e isso pode levar à insegurança. Afinal, sem esse lado emocional sólido, como se pode esperar que a criança, quando mais madura, possa ser um adulto equilibrado e preparado para enfrentar os desafios que (infelizmente) existem ao encarar o mundo como uma PCD?

Confie na pessoa que você ama. Ela é capaz de enfrentar o mundo, e o mundo tem muita coisa a aprender com ela.

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Referências:
http://www.movimentolivre.org/artigo.php?id=200
http://www.leondeniz.com/2009/12/11/a-pessoa-com-deficiencia-e-a-superprotecao-uma-relacao-malefica/

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Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO, e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

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