Aparelho promete revolucionar o modo de deficientes visuais lerem livros

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O aparelho, desenvolvido pelo MIT, é usado no dedo do leitor e foi batizado de Fingerreader (leitor de dedo, em tradução livre). O leitor desliza o dedo pela frase, e o aparelhinho faz a leitura através de sensores e comparação de símbolos, traduzindo para áudio o texto escrito. Uma câmera instalada nele permite que o Fingerreader leia palavras que estejam à frente na leitura e informe se a linha chegou ao fim, através de uma vibração no dedo do leitor. Essa câmera, utilizando-se do algoritmo do aparelho, também ajuda a manter a leitura em linha reta.

O objetivo é que deficientes visuais possam utilizá-lo para leitura de textos impressos e tradução de outras línguas. A leitura pode ser feita tanto em papel quanto em leitores digitais, como o Kindle e o Nook.

Embora o Fingerreader por enquanto seja um protótipo e tenha espaço para melhorias, o aparelho é muito promissor e pode facilitar a vida de muita gente, já que livros em Braille e em áudio não são tão fáceis de encontrar e tem sua diversificação limitada.

Veja o vídeo do link a seguir para entender como funciona o Fingerreader:

Aguardamos ansiosamente que o produto seja lançado no mercado!

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Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO, e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

Superproteção

Proteger: uma ação natural àquilo ou alguém a quem queremos preservar, guardar de perigos. Quando se sabe que esse alguém está sujeito a um ambiente notoriamente hostil, nosso instinto diz para guardá-los numa bolha de amor, carinho e cuidados.

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Isso é normal e saudável até certo ponto, porém o excesso de preservação pode levar a diversos problemas. Quando se trata de uma criança com deficiência, o cuidado é ainda maior, afinal o bullying é uma situação real e preocupante – nenhum pai ou mãe quer expor seus filhos a uma situação que é quase certa. E quando a deficiência é mental, a superproteção acontece ainda mais, pois essa criança está ainda mais exposta a bullying e com dificuldades maior em responder aos comentários maldosos.

Até que ponto, porém, proteger é saudável? O desenvolvimento emocional de uma criança pode sofrer muito com essa falta de exposição ao mundo. Impedir que a pessoa encare situações em que possa estar exposta a comentários maldosos e provocações pode ser a resposta mais confortável e que imediatamente queremos adotar – mas não é a mais correta.

Para chegar ao estado emocional em que chegamos, tivemos de ouvir muita bobagem, ignorar muitos comentários mal-intencionados e até responder de volta. Mas, nesse caminho, fizemos amigos, e compartilhávamos nossos medos e problemas com eles e a família, e a cada tropeço que dávamos, levantávamos mais fortes e experientes.

Estamos num momento da história em que caminhamos a passos lentos para uma aceitação de pessoas “diferentes” e, entre os passos mais lentos está a aceitação de PCDs. Ainda assim, isolar uma criança do mundo porque outras crianças podem ou não ser maldosas, porque ela pode se machucar é injusto. É evitar que ela evolua emocionalmente. É dizer, até sem querer, que ela não é “boa” o bastante para enfrentar o mundo sozinha, e isso pode levar à insegurança. Afinal, sem esse lado emocional sólido, como se pode esperar que a criança, quando mais madura, possa ser um adulto equilibrado e preparado para enfrentar os desafios que (infelizmente) existem ao encarar o mundo como uma PCD?

Confie na pessoa que você ama. Ela é capaz de enfrentar o mundo, e o mundo tem muita coisa a aprender com ela.

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Referências:
http://www.movimentolivre.org/artigo.php?id=200
http://www.leondeniz.com/2009/12/11/a-pessoa-com-deficiencia-e-a-superprotecao-uma-relacao-malefica/

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Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO, e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

Um aliado em nossa luta

Estamos ainda mais fortes na luta pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência! A causa defendida pelo nosso movimento ganhou um importante aliado para gerar a mudança de comportamento cobrada de todos os motoristas infratores, que estacionam seus carros em vagas reservadas aos cadeirantes, utilizando aquela velha desculpa que tanto nos revolta: “É só por um minuto”.

O motivo da minha animação é o Parking Mobility. De que se trata? É um aplicativo criado por um grupo de pessoas com deficiência física de Vancouver, no Canadá, liderado por Campbell Macdonald e Craig Spradling, que possibilita aos usuários denunciar esse tipo de motorista, sem a necessidade de criar qualquer discussão áspera, que muitas vezes não termina bem ou passar por um grande estresse.

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Não precisamos nos preocupar em gastar dinheiro! O aplicativo, disponível para Android, Blackberry, Iphone, Ipad e Ipad Touch pode ser baixado gratuitamente na App Store ou Google Play e aumenta nosso poder de atuação. Como? Ao ver um condutor cometer essa infração, devemos fotografar a placa do veículo, o vidro dianteiro e a vaga de estacionamento. Essas fotos geram um relatório que será automaticamente encaminhado às autoridades competentes para multar o motorista.

Até hoje, o destino do dinheiro das multas de trânsito é uma história mal contada, muitos não sentem segurança ao ouvir que ele é utilizado em obras públicas feitas nas ruas, mas especificamente essa punição terá um fim social, já que 20% da quantia arrecadada será recolhido e doado para instituições de caridade dedicadas aos cadeirantes.

Infelizmente a sociedade nos dá inúmeros e frequentes exemplos de que muitas vezes não é suficiente conversar sobre algo errado que se faz ou organizar um protesto inteligente, pacífico e bem humorado, capaz de estimular sua reflexão e compreensão para convencê-lo de que é necessário agir diferente. Afetar o bolso das pessoas sempre foi um método eficaz de fazer alguém aceitar e corrigir um erro.

Se é assim, temos que continuar tentando utilizar o diálogo e os bons protestos, por serem meios de reivindicar mudanças que ajudam a sociedade a progredir e entender que muitos problemas podem ser resolvidos ou pelo menos melhorados, se as pessoas mudarem seu pensamento e sua atitude. Além disso, através do aplicativo, precisamos mexer nos bolsos dos teimosos que acabam dificultando esse processo de evolução coletiva. Por enquanto o Parking Mobility só funciona nos Estados Unidos, segundo o termo e condições de usos do aplicativo. Lutemos pela sua chegada ao Brasil para garantir que as vagas especiais estejam disponíveis e principalmente, para construir um mundo melhor!

Para baixar o aplicativo na App Store, clique aqui. Se você tem Android, clique aqui para baixar na Google Play.

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E você, motorista que ainda insiste em usar indevidamente as vagas reservadas aos cadeirantes, seguindo a linha de raciocínio que costuma a adotar para dar suas desculpas esfarrapadas, quem usa nossas vagas só por um minuto, paga só uma multa. Faz sentido, não é? Vamos combinar uma coisa? Paramos de te criticar se você pagar por sua infração. OK?

Enquanto seu carro estava parado na nossa vaga, você sacou dinheiro no banco para comprar os ingredientes daquele farto almoço de domingo, adquirir o ingresso daquele show que sempre sonhou em ir e presentear seu cônjuge com uma roupa novinha. Acertei? Agora, evite esquentar muito a cabeça e use uma parte da grana para pagar a multa! Não concorda com o combinado? A penalidade pesou no orçamento? Então estacione seu carro em outro lugar, porque ESTA VAGA NÃO É SUA NEM POR UM MINUTO!

Referências:
http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2013/julho/aplicativo-possibilita-denunciar-quem-viola-vaga
http://catracalivre.com.br/brasil/conteudo-livre/indicacao/aplicativo-denuncia-quem-estaciona-ilegalmente-em-vaga-para-deficientes/
http://ylena.jusbrasil.com.br/noticias/111867966/aplicativo-notifica-autoridades-sobre-carros-parados-em-vagas-para-deficientes
http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,aplicativo-ajuda-a-denunciar-uso-irregular-de-vaga-para-deficiente,3232,0.htm
http://entretenimento.r7.com/videos/rosana-indica-aplicativo-que-denuncia-carros-parados-em-vagas-de-deficientes/idmedia/52096e950cf25a7d43ff8812.html
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.

Respeito é bom e nós gostamos

Nós, pessoas com deficiência, sofremos ao longo do tempo com o preconceito da sociedade. Termos extremamente pejorativos – e até maldosos – eram e ainda são usados para se referir ao nosso grupo. Você sabe bem disso, não é? Afinal, qual de nós nunca foi chamado de aleijado, doente, inválido ou incapaz?

Em meio a essa série de expressões absurdas, que revelam total desconhecimento sobre o que realmente representa ter uma deficiência, nunca paramos de lutar e exigir mais respeito de todos.

Orgulhe-se! O tempo mostra que nossa luta deu resultado!

Por que chegamos lá? Houve um entendimento coletivo de que não era preciso mascarar a deficiência ou as diferenças trazidas por ela, equívoco visível em termos como “pessoas especiais”. Muito menos tratar essa característica, tentando separá-la do indivíduo, engano cometido ao utilizar qualquer termo que contenha a palavra “portador”.

Eu concordo plenamente! E você? De qualquer forma, a situação já era melhor pelo fato desses termos, apesar de ainda serem inadequados, não mostrarem a agressividade e o insulto das outras expressões citadas, mas nossa caminhada só estava começando.

Se já sabíamos o que evitar, também era necessário definir quais direitos e bandeiras defendidas esse novo termo deveria simbolizar, dentre tantas lutas enfrentadas por nós. A gente poderia citar centenas, você não acha? Mas alguns são mais fortes e emblemáticos, tornando-se essenciais, como o retrato digno de nossa realidade, exaltando as diferenças e necessidades sentidas, para que possamos ser compreendidos e abrir o caminho da inclusão social e da igualdade.

Está de bom tamanho? Qual fator você acrescentaria?

Considerando tudo isso, além da importância de mostrar que não somos melhores, nem piores e sim seres humanos como todos, com muito potencial a ser desenvolvido e muitas melhorias a alcançar, a decisão tomada na Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência foi usar exatamente essa expressão em destaque.

Os participantes dessa convenção lutam para que essa decisão seja aprovada pela Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), assim todos os países membros passariam a utilizar a denominação “Pessoa Com Deficiência”, que já é defendida pela Constituição Brasileira.

O termo esclarece: ter uma deficiência é apenas uma dentre muitas características que uma pessoa pode vir a apresentar, sendo, portanto, insuficiente para fazer qualquer julgamento sobre ela, antes de conhecê-la melhor.

Com essa conquista, ensinamos duas grandes lições para a sociedade em que vivemos:

  • a primeira é a importância de ser cuidadoso na escolha das palavras. Às vezes, expressões que parecem similares, têm um significado completamente diferente. Aliás, blogueiros e comunicadores como nós, estão carecas de saber disso;
  • a segunda lição: respeito é bom e nós gostamos!

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Ouça aqui mais explicações sobre o tema.

“Pessoas com deficiência têm o direito …

ao respeito pela sua dignidade humana …

aos mesmos direitos fundamentais que os concidadãos …
a direitos civis e políticos iguais aos de outros seres humanos …
a medidas destinadas a permitir-lhes a ser o mais autossuficientes possível …

a tratamento médico, psicológico e funcional [e]
a desenvolver suas capacidades e habilidades ao máximo [e]
apressar o processo de sua integração ou reintegração social …

à segurança econômica e social e a um nível de vida decente …

de acordo com suas capacidades, a obter e manter o emprego ou se engajar em uma ocupação útil, produtiva e remunerada e se filiar a sindicatos [e] a ter suas necessidades especiais levadas em consideração em todas as etapas do planejamento econômico e social …

a viver com suas famílias ou com pais adotivos e a participar de todas as atividades criativas, recreativas e sociais [e não] serem submetidas, em relação à sua residência, a tratamento diferencial, além daquele exigido pela sua condição …

[a] serem protegidas contra toda exploração, todos os regulamentos e todo tratamento abusivo, degradante ou de natureza discriminatória …
[e] a beneficiarem-se de assistência legal qualificada quando tal assistência for indispensável para a própria proteção ou de seus bens … “

da Declaração sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, proclamada pela Assembleia Geral da ONU em 9 de dezembro de 1975

Referências

http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal70/utilidade_publica_pessoas_deficiencia.aspx
http://portal.mte.gov.br/fisca_trab/por-que-se-adota-o-termo-pessoa-portadora-de-deficiencia-ou-pessoa-com-deficiencia.htm
http://www.selursocial.org.br/porque.html
http://www.pessoacomdeficiencia.curitiba.pr.gov.br/conteudo/terminologia/116#.UvQ3o8-PIdU
http://www.selursocial.org.br/convencao.html

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.