Piercing faz tetraplégicos dirigirem cadeira de rodas

Você, que se chateia por não conseguir empurrar sua cadeira de rodas sozinho, não suporta sempre ser obrigado a pedir para alguém conduzi-la, sente falta de mais liberdade e, assim como eu, nunca foi muito fã de piercings no nariz, no umbigo ou em qualquer outra parte do corpo, acredite se quiser, esse acessório adorado por uns e odiado por outros, pode mudar sua vida!

É isso mesmo!

Você poderá utilizar um piercing na língua, desenvolvido por cientistas do Georgia Institute of Technology (EUA), para guiar sua cadeira de rodas!

Agora, creio que esteja pensando: “Não pode ser! Como isso funciona?”

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Trata-se do “Tongue Drive System” ou Sistema de Condução pela Língua. Imagine um imã sendo colocado junto ao piercing, formando um campo magnético dentro da boca, que é controlado pelos movimentos de sua língua, captados por sensores posicionados na cabeça, nas bochechas, e transmitidos via Wireless para Smartphones, computadores ou Ipads com um software capaz de executá-los com a cadeira de rodas.

Ficou com água na boca? A novidade pode representar seu grito do Ipiranga: “Independência!”

Está enganado se pensou que as melhorias trazidas pelo piercing param por aí. Testes feitos em centros de reabilitação mostraram que o acessório pode torná-lo capaz de superar obstáculos físicos, comandar um computador com mais facilidade e até dirigir carros adaptados. Depois de saber disso tudo, pelo menos esse piercing você vai pensar em pôr, não é?

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Um importante próximo passo a ser dado pelos cientistas que desenvolveram o sistema com o apoio da Apple, é aumentar sua sensibilidade, expandindo o repertório de movimentos controlados, de modo que cada dente tocado represente um comando diferente. Isso te proporcionaria gradativa autonomia para fazer essas e outras atividades. Já pensou? Além de ser uma alternativa esteticamente mais agradável em relação ao sistema de inspiração e expiração, ainda usado por tetraplégicos para dirigirem suas cadeiras de rodas.

Animou-se, certo? Então comece suas economias! O “Tongue Drive System”, que ainda precisa de autorização das autoridades americanas na área de saúde para ser comercializado, terá um custo até agora estimado em US$ 7 mil.

Essa inovação é mais um exemplo de como a ciência pode proporcionar a você e a todos os outros cadeirantes, um grande salto em qualidade de vida e autonomia, ideais que norteiam seu dia-a-dia de luta.

Encoraje-se para em breve se dirigir à volta ao mundo sob duas rodas! É piercing na língua e cadeira na estrada!

Fonte.

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Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.

O trabalho e a formação da PCD

O desemprego entre pessoas com deficiência chega a assustadores 52% [1].

Não é novidade que existe uma grande dificuldade em se inserir no mercado de trabalho quando isso exige adaptação e preparação por parte dos contratantes, e, embora esse cenário venha se modificando notoriamente, ainda é muito menos integrante do que poderia ser.

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A falta de acessibilidade e informação por parte dos contratantes é um obstáculo muito grande. Esses obstáculos vêm desde a educação, que é muito prejudicada entre PCDs*, e mais de 78% [1] da população com deficiência tem 7 anos de educação ou menos. O despreparo na educação reflete de modo muito negativo, e causa uma dificuldade ainda maior para a potencial população com idade para ingressar no mercado de trabalho.

A regularização da Lei de Cotas para a contratação de pessoas com deficiência auxilia na oferta de empregos, mas a passos mais lentos do que se gostaria. Segundo uma pesquisa realizada em Santa Maria, RS, [2] o número de empresas que não estão a par da Lei de Cotas, e desconhecem como aplicá-la é grande. Muitas não se comprometem com a empregabilidade de PCDs.

O ambiente de trabalho em que se encontra o trabalhador com deficiência também precisa ser modificado, levando em consideração o tipo de deficiência, de modo que até mesmo a apresentação de documentos tenha de ser modificada (para Braille, por exemplo). Detalhes que fazem uma diferença crucial na inclusão do trabalhador. E mesmo que a empresa forneça acessibilidade adequada, ainda assim o trabalhador com deficiência precisa enfrentar discriminação e falta de informação, fator que deve ainda ser trabalhado pelo contratante com os colegas de trabalho e supervisores.

mercado-de-trabalho-pessoa-com-deficiencia-esta-vaga-nao-e-sua-nem-por-um-minutoA oferta de cursos profissionalizantes muitas vezes negligencia a capacidade da pessoa com deficiência. Em Sorocaba, por exemplo, [4] são ofertados cursos como Biscuit, Crochê e Bijuteria. A formação nessas áreas é interessante, mas abranger as áreas ofertadas seria uma opção muito melhor. A carência de ofertas na educação é um fator limitante muito grave, e as pessoas com deficiência têm uma capacidade e potencial que faria a diferença no mercado, caso as devidas medidas fossem tomadas.

O que seria do Brasil, se milhões de pessoas com deficiência fossem capacitadas tal como suas habilidades e potencial permitem, e se houvessem ofertas de trabalho que condissessem com essa formação? E o que seria dessas pessoas, se tivessem essa oportunidade?

Há um espaço muito grande para melhoria. E ela vem ocorrendo, mas é preciso fazer muito mais ainda.

Contratar pessoa com deficiência, dependendo da dimensão da empresa, não é responsabilidade social. É obrigatoriedade. É inclusão social!
Lei nº 8.213, de 1991

* Pessoas com Deficiência

[1] http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BAFFE3B012BB0039E632D44/febraban.pdf

[2] http://bento.ifrs.edu.br/site/midias/arquivos/201007111045971tania_dubou.pdf

[3] http://www.portaldaempresa.pt/CVE/pt/FerramentasdeApoio/Guiao/listagem_gui_gestao/gui_valor_acrescentado_cidd_deficiencia.htm?Stage=4 [4] http://www.deficientefisico.com/a-questao-chave-na-empregabilidade-do-deficiente/

[4] http://www.deficientefisico.com/a-questao-chave-na-empregabilidade-do-deficiente/

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Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO, e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

Pulseira transforma comunicação dos surdos-mudos

Você, usuário da linguagem de sinais (libras), sofre ou se irrita quando as pessoas não entendem seus gestos, te olham como se fosse um estranho ou desistem de dialogar e interagir contigo ao perceberem que não tem um intérprete ao seu lado? Às vezes, se sente incomodado com a obrigação de estar sempre acompanhado para poder se comunicar?

Se a resposta dessas e de outras perguntas parecidas forem sim, acalme-se e alegre-se porque seus problemas acabaram! Seis estudantes da Universidade da Ásia (Asia University) desenvolveram uma pulseira responsável por traduzir o seu “idioma especial”.

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Chamado de “Sign Language Ring” ou “Anel da Linguagem de Sinais”, o acessório consiste em seis anéis presos a uma pulseira. Eles possuem sensores de movimento capazes de fazer a tradução dos gestos em palavras. Uma caixa, que também faz parte do protótipo, emite seus sons.

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E não é só isso. Você também poderá compreender o que a outra pessoa diz! As palavras dela têm o som captado por um microfone e são exibidas em forma de texto numa tela de LED. Possibilidade que torna a pulseira ainda mais inovadora. Por enquanto, essas traduções só existem em inglês, mas não fique desiludido! O aparecimento do acessório em outras línguas pode ser apenas questão de tempo.

Gostou da novidade? Fico imaginando como a empolgação de saber disso seria transmitida, não só em seus sinais, mas também nos de outras 359 milhões de pessoas, que segundo a Organização Mundial da Saúde, têm deficiência auditiva. A descoberta merece comemoração, afinal pode melhorar muito a inserção do seu grupo na sociedade!

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É difícil afirmar se toda essa mudança representará o fim dos aplicativos que fazem a conversão das linguagens ou dos intérpretes, mas caso represente, você jamais pode se esquecer das pessoas que te ajudaram até hoje. Sempre retribua como puder por tudo o que fizeram e continuarão fazendo pelo seu desenvolvimento.

Agora, devemos unir forças para divulgar essa inovação, só assim ela deixará o museu Red Dot de Cingapura para ser lançada em breve. Que a pulseira traga esperança para você e todos os outros deficientes auditivos! Enquanto fazemos a notícia correr, prepare-se para mostrar ainda mais o que tem de melhor e por a boca no mundo!

Fonte 1.
Fonte 2.
Fonte 3.
Fonte 4.
Fonte 5.

Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.

Ser cadeirante e ser forte

Volta e meia, mesmo em conversas com amigos ou parentes, alguém menciona alguma pessoa que “superou todas as expectativas” apesar de sua deficiência e, ou virou campeão paraolímpico, ou hoje leva “uma vida normal”. Sempre que o assunto surge, tem alguém que diz “Que exemplo de força!”, o que é um elogio muito bom de se ouvir – mas o quanto é preciso ser forte por ser cadeirante?

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Ser forte significa, nesse contexto, ser mais forte do que os outros. Significa que é preciso superar obstáculos o tempo inteiro, e se desafiar, nunca desistir, ser confiante e – basicamente – ter uma perseverança quase sobre-humana. Não tenho a menor dúvida de que é preciso ser forte quando se é cadeirante. São adaptações em quase todos os âmbitos, são pequenas superações diárias de independência. O problema é: e se não precisasse ser forte para ser cadeirante?

E se pudesse fazer aulas na Universidade sem as pessoas ficarem trocando de sala porque nem todos os blocos têm elevador e menos ainda rampas? E se pudesse ir de um lado para outro sem demorar duas, três vezes mais porque o caminho acessível é mais longe? Posso contar nos dedos a quantidade de alunos cadeirantes na Universidade que frequento, ou no shopping, ou mesmo pegando ônibus. Existem mais de 24 milhões de brasileiros com alguma deficiência, e grande parte é de cadeirantes. Isso significa que milhões de brasileiros enfrentam, todos os dias, uma rampa que termina em degrau, uma curva estreita e acentuada, isso sem mencionar o preconceito e olhares de pena.

Ser cadeirante não é ser forte. O cadeirante é uma pessoa com angústias e medos e que não acha que tem nada de sobre-humano em sua perseverança. É uma pessoa que simplesmente tem de ser forte porque a sociedade é fraca em tornar as coisas mais fáceis. Banheiros, calçadas, até mesmo a organização de móveis em ambientes são obstáculos que fazem parte do dia-a-dia e passam despercebidos pelas outras pessoas.

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Pedreiros em Curitiba passaram por um curso para testar as calçadas da cidade e descobrir dificuldades que fazem parte do cotidiano dos cadeirantes e deficientes visuais. Essa experiência inusitada resultou em detalhes antes deixados de lado (uma pedra fora do lugar, mau encaixe…) se tornando um problema real para eles. É um passo importante, porém que deveria ter sido pensado muito tempo atrás. Quem pode ditar se as calçadas são acessíveis ou não são os próprios cadeirantes.

Ser cadeirante não é ser forte. Ser cadeirante é se tornar forte, porque é necessário, porque as pessoas acreditam que, como cadeirante, assume-se quase um papel de herói ou heroína em que você precisa superar obstáculos, todos os dias. Ser cadeirante é efetivamente superar esses obstáculos todos os dias. E tornar-se forte para continuar a superar nos dias seguintes.

Fonte 1.
Fonte 2.
Fonte 3.

Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO, e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

A grande inovação da Copa 2014

Você, que é cadeirante, não tem movimento nos membros inferiores, adora futebol e sonha em jogar uma partida.

Prepare-se!  Seu sonho pode se tornar realidade.

Está achando que não leu direito? Leu, sim! Cientistas comandados por Miguel Nicolelis* estão trabalhando num projeto que fará um paraplégico dar o pontapé inicial do primeiro jogo válido pela Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Fruto de uma parceria da universidade americana Duke com instituições alemãs, suíças e brasileiras, o “Walk Again Project” ou “Projeto Andar de novo” almeja, nada mais nada menos, do que desenvolver a capacidade de movimento em vítimas de lesões ou doenças neuromotoras. Você certamente deve estar se perguntando: “Como isso será possível?”

Segundo Miguel Nicolelis, a ideia é utilizar uma roupa mecânica chamada de Exoesqueleto. Ela reagirá a estímulos cerebrais, que através de neuropróteses, poderão promover uma conexão harmoniosa entre cérebro e máquina, capaz de alavancar significativa evolução em matéria de reabilitação motora.

Experiências feitas com os Exoesqueletos em animais e humanos, tiveram resultado positivo, mostrando que por meio de um processo de codificação e decodificação, pode-se usar a atividade elétrica para controlar os movimentos da roupa mecânica. O cientista frisa que a eficiência do projeto depende de ajustar esse processo a fatores da coordenação motora, o que levaria o cérebro a entender o aparelho como parte do corpo.

Os felizardos que podem ter a honra de estrear o Exoesqueleto sob os holofotes da imprensa mundial, protagonizando um possível histórico avanço da ciência, estão sendo submetidos a exercícios que fazem parte de uma preparação especial conduzida pela AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).

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Está surpreso? Eu também estou! Agora só resta aguardar com ainda mais ansiedade o dia 12 de junho de 2014, quando antes mesmo do jogo começar, será marcado o primeiro golaço da Copa, que para Miguel Nicolelis, pode futuramente representar a aposentadoria das cadeiras de roda.

Portanto digo a você e a todos os cadeirantes que lerem esse texto: “Renove suas esperanças de um dia entrar em campo como um vencedor no futebol e na vida.”

*Miguel Nicolelis

Miguel Ângelo Laporta Nicolelis formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e hoje dedica-se a estudos voltados para a neurociência na Universidade Duke (EUA), onde, apoiado por um grupo de cientistas, busca desenvolver formas de conectar o cérebro humano a máquinas, formando uma espécie de prótese neural capaz de reparar perdas motoras causadas por paralisias corporais em diversos pacientes. Na mesma instituição, Nicolelis é professor titular de neurobiologia, engenharia biomédica e co-diretor do Centro de Neuroengenharia. O cientista desenvolveu, por exemplo, um sistema de braços robóticos reconhecido pelo Massachusetts Institute Of Technology (MIT), como uma das tecnologias que vai mudar o mundo. Algumas experiências desenvolvidas por ele nos Estados Unidos também são trabalhadas no Instituto Internacional de Neurociências de Natal. Toda essa bagagem rendeu a Miguel Nicolelis prêmios como o Pioneer, o Transformative R01 e o título de um dos 20 maiores cientistas do mundo na década passada, concedido pela revista americana “Scientific American”.

Fonte 1.
Fonte 2.
Fonte 3.

Texto de Alexandre dos Santos Gouveia

Alexandre dos Santos Gouveia é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, foi estagiário da equipe de comunicação do Banco Santander, atuou em rádios como comentarista esportivo e já participou de trabalhos voluntários ligados á prática do futebol.